Como funciona a psicoterapia para autismo?

Como funciona a psicoterapia para autismo?
Paulinha Psico Infantil

Paulinha Psico Infantil

Olá, sou a Paulinha, psicóloga infantil com foco em transtornos do neurodesenvolvimento. Crio conteúdos na internet desde 2015 e ajudo milhares de mães e outras profissionais da área todos os dias aqui e em minhas redes sociais.

Antes de compreendermos como funciona a psicoterapia para autismo, acho interessante abordar o que é o Transtorno do Espectro Autista, ou TEA.

As crianças que se encontram dentro do espectro podem apresentar déficits que, embora distintos entre si, possuem certa linearidade e afetam, principalmente, as habilidades sociais. As dificuldades que tendem a aparecer, cedo ou tarde, no caminho de uma pessoa diagnosticada com TEA estão relacionadas à comunicação e a interação social, e também a presença de padrões restritivos e repetitivos de comportamento.

Neste texto, vou explorar em detalhes como funciona a psicoterapia para autismo, quais são suas principais abordagens e como ela pode ajudar as crianças com TEA a lidar com seus sintomas e desafios.

O diagnóstico do TEA

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), que direciona os diagnósticos, estabelece que o TEA é reconhecido como um espectro devido à variação da intensidade dos sintomas em cada indivíduo. De forma geral, as dificuldades nas áreas de comunicação e interação social, e também padrão de comportamento restrito e repetitivo fazem parte dos critérios diagnósticos estabelecidos pelo DSM-V, nosso manual de saúde mental. Essa informação é extremamente relevante para entender como funciona a psicoterapia para autismo

Eu sempre afirmo por aqui que cada ser humano é único em seu universo, dito isto, é importante, portanto, lembrar que as síndromes e transtornos, mesmo que influenciam grandemente na vida dos nossos pacientes, não anulam a sua unicidade.

Como terapeutas infantis é muito importante que a gente aprenda o conceito de NEURODIVERSIDADE. O termo surgiu no final dos anos 1990, quando Judy Singer, socióloga australiana que também está no espectro do autismo, a usou para descrever condições como TDAH, transtorno do espectro autista e dislexia. A esperança e objetivo de Singer eram desviar o foco do discurso sobre as formas de pensar e aprender da rotineira ladainha de “déficits”, “distúrbios” e “deficiências”. O movimento nos interessa grandemente, já que nos coloca como facilitadores para que os pacientes encontrem suas próprias potencialidades e soluções. A melhor maneira de acolher e auxiliar nossos pequenos, é disponibilizar um ambiente seguro, sem julgamentos, que propicie o autoconhecimento e as mudanças positivas.

Como funciona a psicoterapia para autismo?

Como funciona a psicoterapia para autismo?

Sendo assim, a terapia focada no indivíduo e não no transtorno, traz mais luz à psicoterapia para autismo. A partir da compreensão das necessidades específicas de cada indivíduo que adentra nosso consultório, torna-se possível fornecer o apoio adequado para que seu paciente possa se expressar livremente e superar os desafios encontrados de forma independente. 

Ainda neste sentido, as abordagens baseadas em evidências podem, também, elucidar como funciona a psicoterapia para autismo. Amplamente utilizada, principalmente, pelas famílias dos pacientes com TEA, a prática propõe a aplicação de um conjunto de procedimentos com base em pesquisas acadêmicas que comprovam cientificamente o sucesso dos resultados de processos terapêuticos realizados com crianças, adultos e adolescentes dentro do espectro. 

Os resultados, consequentemente, são divulgados e servem como ferramentas para a evolução dos pacientes durante o processo terapêutico. Resumidamente, a prática terapêutica voltada ao transtorno do espectro autista, deve ser baseada em intervenções extensamente analisadas e estudadas que possuem comprovação científica. 

Ao se familiarizar com tais práticas, os terapeutas que trabalham com a infância podem usufruir do conhecimento adquirido para atingir melhores resultados e promover, assim, maior qualidade de vida aos seus pequenos pacientes. Desta forma, irei explicar um pouco mais a psicoterapia para autismo abaixo com abordagens específicas, baseadas em evidências científicas. 

Terapia Comportamental ou ABA

Esta abordagem envolve diversas técnicas de intervenção voltadas ao desenvolvimento de habilidades sociais e comunicativas, e à independência na vida cotidiana. Ela é conduzida por profissionais que se especializaram em autismo e em análise do comportamento. Naturalmente, os métodos e práticas específicas irão variar de acordo com as necessidades e desafios de cada paciente, assim como as orientações repassadas à cada família. 

Através da associação de diferentes formas de ensino dentro da ABA, é possível auxiliar no tratamento de sintomas como problemas de comunicação, problemas relacionados à interação social, e comportamentos e pensamentos restritivos e repetitivos. Ao estabelecer uma rotina de cuidados com a família e demais profissionais envolvidos no tratamento diário, exercícios espontâneos, jogos, e atitudes positivas podem ser integradas ao cotidiano e promover, assim, a manutenção e o aprendizado de habilidades funcionais. 

Como funciona a psicoterapia para autismo?

A terapia comportamental busca modificar comportamentos específicos que possam estar causando problemas para a criança ou o adulto com TEA, promovendo o desenvolvimento de novos comportamentos mais adaptativos. Durante o tratamento terapêutico com um psicólogo utilizando a terapia comportamental, a criança ou o adulto com TEA será exposto gradualmente a situações que possam estar causando problemas comportamentais. A terapia comportamental utiliza técnicas como o reforço positivo e a dessensibilização sistemática para ajudar a criança ou o adulto com TEA a aprender novos comportamentos e a lidar com situações que possam ser estressantes ou desafiadoras.

A terapia comportamental pode ser aplicada em diferentes contextos, incluindo sessões individuais com o psicólogo, sessões em grupo e sessões em família. É importante que o tratamento seja personalizado de acordo com as necessidades específicas da criança ou do adulto com TEA, e que o psicólogo seja experiente e capacitado para aplicar a terapia comportamental no contexto do autismo.

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

Uma importante parte da psicoterapia para autismo é integrar nos momentos de instrução informações e conhecimentos sobre a gestão de processos cognitivos que promovem a mudança de comportamentos sociais ou acadêmicos do paciente com autismo. Tanto para os cuidadores quanto para os demais profissionais envolvidos na rotina de cuidados como fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, e psicopedagogas, por exemplo. 

A TCC é uma abordagem terapêutica amplamente utilizada para tratar diversos transtornos emocionais e comportamentais, sendo recomendada, majoritariamente, para as comorbidades que afetam as pessoas com autismo, depressão e ansiedade. No contexto do autismo, a TCC pode ser uma abordagem terapêutica eficaz para ajudar a criança ou o adulto com TEA a lidar com seus sintomas e desafios emocionais e comportamentais. O monitoramento dos resultados e o fornecimento das consequências positivas para os comportamentos considerados benéficos para os pacientes têm mostrado, cada vez mais, o êxito da abordagem para pessoas com TEA.

Durante o tratamento terapêutico com um psicólogo utilizando a TCC, a criança ou o adulto com TEA será incentivado a identificar e modificar padrões de pensamento e comportamento que possam estar contribuindo para os sintomas do autismo. Isso pode incluir a identificação e correção de crenças negativas ou irracionais, além do desenvolvimento de novas habilidades comportamentais.

A TCC também pode ser aplicada em diferentes contextos, incluindo sessões individuais com o psicólogo, sessões em grupo e sessões em família. Assim como é importante que o tratamento seja personalizado de acordo com as necessidades específicas da criança ou do adulto com TEA, e que o psicólogo seja experiente e capacitado para aplicar a terapia cognitivo-comportamental no contexto do autismo.

Saiba adaptar o seu trabalho para o seu paciente

As experiências terapêuticas promovidas por nós para pessoas com TEA devem considerar a especificidade da psicoterapia para autismo, e que estes pacientes não processam as informações recebidas da mesma forma que pessoas neurotípicas. As intervenções devem ser graduais, monitoradas e contextualizadas, além de contar com a presença de uma equipe multidisciplinar que irá fornecer ao pequeno em desenvolvimento todas as ferramentas e soluções disponíveis para que eles possam viver de forma plena dentro das suas condições. 

Para ter mais informações sobre como melhorar seus atendimentos aos pacientes com TEA, você pode sempre acessar o meu blog, é um assunto que eu busco trazer com frequência por aqui! Assim como pode me procurar para esclarecer dúvidas nas minhas redes sociais (Instagram, Youtube, TikTok). Eu também criei o PsicoPlano Infantil para atender a todos os colegas de profissão que buscam ampliar seu conhecimento, por onde compartilho meus conhecimentos. 

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