Superdotação e autismo: Entenda porquê o diagnóstico pode ser confundido

Superdotação e autismo: Entenda porquê o diagnóstico pode ser parecido
Administrador

Administrador

Superdotação e autismo são condições diferentes, mas que têm algumas relações entre si. Ambos esses “transtornos” refletem no comportamento das pessoas que possuem, tornando essas pessoas diferente das demais.

Nesse artigo, falaremos tudo sobre essas condições, o que são, como se manifestam, quais são as características, como diagnosticar, o que fazer para manter a qualidade de vida apesar disso, e muito mais. Confira!

O que é superdotação? Altas habilidades / Superdotação – AH/SD?

O que é superdotação? AH/SD?

Para começar, precisamos indicar o que significam essas expressões e como elas modificam o comportamento das pessoas. Primeiramente, falaremos da superdotação, ou então AH/SD, que significa: altas habilidades / superdotação.

Como o próprio termo já indica, uma pessoa com AH/SD é aquela que possui habilidades acima da média. Mas, essa capacidade acima pode se apresentar em diferentes áreas de inteligência, como por exemplo: lógico matemática, espacial-visual, verbo-linguística, interpessoal, intrapessoal, corporal-sinestésica, musical, entre outras.

Na definição do conceito, superdotados são aqueles que possuem capacidades mentais acima do considerado normal, ou acima da média. 

As pessoas que possuem essa condição costumam apresentar as capacidades ainda cedo, enquanto são crianças, seja no dia a dia, na escola, ou em ambientes que frequenta.

Pode começar com perguntas muito específicas em diferentes situações, até alguma habilidade que os pais observam que parecem ser diferente dos colegas que o filho convive da mesma idade.

Cada área, como a sociologia, medicina e a psicologia, caracteriza a superdotação de diferentes maneiras, indo de acordo com as áreas estudadas.

Quando uma criança é superdotada, ela apresenta sinais claros que podem se diferenciar das demais crianças próximas. Além de capacidades cognitivas “maiores”, como fácil aprendizagem, maior conhecimento em diferentes áreas e autodidatismo, elas também tendem a apresentar sinais característicos de isolamento social, principalmente pela falta de interesse com os assuntos de pessoas da mesma idade. 

Geralmente, pessoas AH/SD são muito sensíveis e podem apresentar dificuldades em se organizar emocionalmente. Lembrem que não é porque uma criança apresenta cognição acima da média, que sua inteligência emocional também é acima da média.

Dentro da AH/SD é comum o chamado “enriquecimento curricular” que consiste em acrescentar mais conteúdo, de formas mais interessantes, para as crianças na escola, pois os conteúdos da faixa etária podem ser aprendidos com muita facilidade, levando a criança a achar a escola um local muito chato e entediante.

O que é autismo leve?

O que é autismo leve?

A relação entre superdotação e autismo fica mais clara quando entendemos o que é autismo leve e quais são suas características.

Bom, o TEA (Transtorno do Espectro Autista) ou apenas autismo, é um transtorno do neurodesenvolvimento, você pode entender um pouco mais da genética do autismo aqui.

De modo geral, existem 3 graus principais de autismo, que são: nível 1, nível 2 e nível 3 – informalmente chamados de autismo leve, moderado e severo.

Como o próprio nome já indica, o autismo leve é o grau de autismo com pouco nível de suporte, geralmente a criança é verbal e consegue ser autônoma e independente e diversas áreas. E é por isso que algumas pessoas confundem superdotação e autismo, pois acham que autistas “não falam”.

Entre as principais características e sintomas de uma pessoa que possui o autismo leve, estão:

  • Movimentos repetitivos;
  • Baixa tolerância à frustração;
  • Dificuldade de socialização;
  • Dificuldade na comunicação social;
  • Interesses restritos;

É importante destacar que, em todos os graus de autismo, as pessoas apresentam esses sintomas listados.

O que é dupla excepcionalidade?

O que é dupla excepcionalidade?

Um aspecto interessante dentro da relação de superdotação e autismo, é a característica de dupla excepcionalidade.

Esse termo existe para designar pessoas que possuem dois diagnósticos concomitantemente. Por exemplo, pode ser uma criança superdotada, ou seja, que apresenta facilidade de aprendizado e inteligência acima da média em alguma área e também, apresenta características de autismo.

O conceito de “dupla” é justamente por conta do aparecimento de duas situações concomitantemente. Podem ser diferentes diagnósticos, porém, o mais comum dentro desse termo é AH/SD + TEA.

As pessoas autistas leves E superdotadas, poderão apresentar características do TEA, ao mesmo tempo em que apresentam um desempenho em alguma habilidade acima da média.

É aqui que mora aquele senso comum de que “todo autista é um gênio”. O que não é verdade, porém, temos casos de autistas que tem AH/SD e realmente, apresentam habilidades peculiares em algumas áreas específicas.

Podemos pegar alguns exemplos conhecidos de famosos que possuem a dupla excepcionalidade, com grande destaque na área em que atuam. 

Esse tipo de característica, de dupla excepcionalidade, é retratada no filme RainMan.

Também é o caso de Stephen Wiltshire que consegue desenhar em três dimensões uma cidade inteira após sobrevoá-la de helicóptero uma única vez. Apresenta uma memória visual muito acima da média, pois retrata uma cidade inteira com uma só visualização da mesma.

Aqui você poderá assistir um vídeo dele desenhando: https://www.youtube.com/watch?v=IdKrgAEo8wk

Outro caso é o menino Joshua Beckford, autista e superdotado – que aos 6 anos foi o mais jovem a frequentar a prestigiada Universidade de Oxford – agora está com 13 e quer se tornar neurocirurgião para mudar o mundo.

Joshua e o pai Knox e suas premiações Foto: reprodução

Assista aqui o TEDx do pequeno Joshua: https://youtu.be/QKFD9ubmKSc

Também representados em filmes e séries, como o seriado The Good Doctor – no qual o ator principal é autista e apresenta uma inteligência acima da média, conseguindo usar suas diferenças de pensamento do autismo para resolver as situações do consultório médico.

Devo me preocupar caso meu filho tenha superdotação e autismo?

Devo me preocupar caso meu filho tenha superdotação e autismo?

A superdotação e autismo ainda são muito estigmatizados, gerando grandes preocupações dos pais. Claro, são condições que modificam o comportamento e apresentam características que fogem do padrão, mas é preciso ter cuidado e não se desesperar.

Primeiramente, é fundamental confirmar se o filho realmente se enquadra na categoria de superdotação e autismo. Para isso, é preciso buscar ajuda de um especialista, como um psicólogo, psiquiatra ou neuropsiquiatra.

Com o auxílio desses profissionais e com o diagnóstico sendo confirmado, é importante seguir tendo calma. Cada uma dessas condições tem suas peculiaridades, e é preciso entender e compreender como elas funcionam.

Como dissemos, o autismo, por exemplo, pode se apresentar em diversos níveis. A superdotação, por outro lado, possui pontos importantes de destaque, como maior desempenho em uma determinada área, mas também possui alguns aspectos que precisam ser observados.

Dessa maneira, não é necessário se preocupar indevidamente ou se desesperar. Caso identifique alguns aspectos relativos a essas condições, busque ajuda de um especialista e faça o acompanhamento necessário para que eles possam se inserir com maior tranquilidade no meio social.

Como saber se meu filho tem autismo leve ou superdotação

Como saber se meu filho tem autismo leve ou superdotação

Como dissemos, apenas os especialistas podem confirmar para você se seu filho possui superdotação e autismo. 

Dessa maneira, é importante ficar atento com o comportamento do seu filho desde as fases iniciais da vida, visto que, os sintomas costumam aparecer logo cedo, já que essas condições são genéticas.

Caso perceba alguma mudança comportamental, repetição de movimentos, dificuldade em socializar ou então veja seu filho se destacar muito mais que outras crianças em alguma situação, procure um especialista.

Nas consultas com psicólogos, psiquiatras ou neuropediatras, esses profissionais possuem métodos, testes e atividades que podem diagnosticar se seu filho se enquadra em alguma dessas condições de superdotação e autismo.

O que posso fazer para ajudar meu filho que apresenta superdotação e autismo?

O que posso fazer para ajudar meu filho que apresenta superdotação e autismo?

Por serem transtornos genéticos, o seu filho sempre terá superdotação e autismo. Entretanto, é possível realizar tratamento para que eles possam ser cada vez mais independêntes, sem tanto prejuízo em sua vida diária.

O acompanhamento psicológico serve justamente para ajudar em sua qualidade de vida, aprender sobre a socialização, sobre estratégias de regulação emocional, sobre enriquecimento curricular.

Por isso, a melhor forma de ajudar seu filho que possui superdotação e autismo é buscar um especialista e iniciar um tratamento de amenização dos sintomas, melhorando a interação social, diminuindo as necessidades de isolamento e auxiliando-os a compreender as situações em que eles estão presentes.

Conclusão

Com esse artigo percebemos que a superdotação e o autismo tem relações entre si, principalmente dentro do autismo nível 1, o dito autismo “leve.


Quer saber mais sobre o assunto? Me siga no instagram, onde eu relato todo o meu trabalho com crianças autistas.

Compartilhe esse conteúdo

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook

Tópicos do Conteúdo

Gostou do conteúdo? Deixe um comentário

Conteúdos que você também pode gostar