Como fazer diagnóstico de TOD?

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Paulinha Psico Infantil

Paulinha Psico Infantil

Olá, sou a Paulinha, psicóloga infantil com foco em transtornos do neurodesenvolvimento. Crio conteúdos na internet desde 2015 e ajudo milhares de mães e outras profissionais da área todos os dias aqui e em minhas redes sociais.

Crianças podem apresentar um comportamento de oposição a figuras de autoridade. Apesar de, em muitos casos, isso ser considerado apenas uma birra, algumas situações podem se tratar do Transtorno de Oposição Desafiante (TOD). Um diagnóstico de TOD vai impactar diretamente no desenvolvimento da criança e, é claro, o seu comportamento atual. Entenda melhor esse transtorno a seguir e como o seu diagnóstico é feito.

O que é TOD

O Transtorno de Oposição Desafiante, ou TOD, não tem uma causa definida. Estudos apontam que a sua causa pode estar associada tanto a fatores ambientais quanto genéticos. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), a prevalência dessa doença varia entre 1% e 11%. O TOD parece ser mais predominante entre meninos antes da adolescência.

As principais manifestações da doença estão associadas ao comportamento da criança em relação a figuras de autoridade, como os pais e os professores. Crianças com TOD tendem a ser desobedientes, podendo manifestar isso em ambientes familiares e na escola. Existem casos em que a manifestação ocorre apenas dentro de casa, com a família.

Além de desafiar figuras de poder, as crianças com TOD também tendem a ter um comportamento irritável e raivoso, bem como posturas vingativas. Por se tratar de um transtorno crônico, o tratamento servirá para reduzir os impactos dele na sociabilidade e no desenvolvimento.

Crianças com TOD não refletem estes comportamentos apenas por “birra”. Sua irritabilidade faz com que elas expressem o mesmo sentimento nas figuras que a rodeiam. É importante diminuir o impacto disso com tratamento psicológico indicado.

Diagnóstico de TOD: o que diz o DSM-V

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Antes de mais nada, é importante explicar o que é o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V). Primeiro, você pode ter percebido que a sigla não condiz com as iniciais do manual. E é daí que vem a primeira característica do DSM: ele é uma publicação dos Estados Unidos. A instituição responsável por elaborar o DSM é a Associação Americana de Psiquiatria (APA).

O DSM é a referência oficial para diagnósticos psiquiátricos nos Estados Unidos. Contudo, sua autoridade não se restringe a esse país. Atualmente, o DSM serve em diversos locais do mundo como o principal manual diagnóstico para a prática da psicologia e psiquiatria. O manual tem influência até mesmo em questões jurídicas e escolares, por exemplo.

Agora, para a outra questão. Por que o DSM tem o número cinco em algarismos romanos no nome? O que ocorre é que o manual passa por atualizações esporádicas para deixar os critérios o mais próximo possível dos consensos científicos mais atualizados. A quinta e última atualização ocorreu em 2013.

Critérios de diagnóstico de TOD no DSM

O primeiro item de critérios listados pelo DSM no diagnóstico de TOD são o Humor Raivoso/Irritável, Comportamento Questionador/Desafiante e a Índole Vingativa. É importante sempre acessar o texto original para estabelecer um diagnóstico de TOD, e esta reprodução serve apenas como uma consulta breve. Confira a reprodução deles:

  • Humor Raivoso/Irritável

 1. Com frequência perde a calma.

 2. Com frequência é sensível ou facilmente incomodado.

 3. Com frequência é raivoso e ressentido.

  • Comportamento Questionador/Desafiante

 4. Frequentemente questiona figuras de autoridade ou, no caso de crianças e adolescentes, adultos.

 5. Frequentemente desafia acintosamente ou se recusa a obedecer a regras ou pedidos de

figuras de autoridade.

 6. Frequentemente incomoda deliberadamente outras pessoas.

 7. Frequentemente culpa outros por seus erros ou mau comportamento.

  • Índole Vingativa

 8. Foi malvado ou vingativo pelo menos duas vezes nos últimos seis meses

Além disso, o manual também segue expondo como critério diagnóstico de TOD que “a perturbação no comportamento está associada a sofrimento para o indivíduo ou para os

outros em seu contexto social imediato (por exemplo família, grupo de pares, colegas de trabalho) ou causa impactos negativos no funcionamento social, educacional, profissional ou outras áreas importantes da vida do indivíduo”.

Por fim, o manual descreve que os comportamentos não ocorrem apenas durante momentos de transtorno psicótico causado por usos de substâncias, depressão ou bipolaridade. Também é importante identificar se os critérios para Transtorno

Disruptivo da Desregulação do Humor não são preenchidos.

Diagnóstico de TOD diferencial

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O diagnóstico diferencial é a capacidade clínica de especificar um transtorno diferente de outro com características similares. Um diagnóstico diferencial de TOD, portanto, servirá para eliminar as possibilidades de outras manifestações clínicas que não esse transtorno. O DMS descreve outros oito transtornos para um diagnóstico diferencial. Aqui vão alguns dos transtornos descritos. Vale lembrar novamente que é fundamental conferir o texto completo do manual.

  • Transtorno de conduta: a gravidade dos comportamentos de uma criança com TOD tendem a ser menos graves. Segundo o DSM, os comportamentos do TOD geralmente não incluem agressão a pessoas ou animais, destruição de propriedade ou um padrão de roubo ou de falsidade. Também há problemas de desregulação emocional no TOD que não estão associados ao transtorno de conduta.
  • Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: segundo o DSM, o TDAH é frequentemente comórbido do TOD. “Para fazer um diagnóstico adicional de transtorno de oposição desafiante é importante determinar que a falha do indivíduo em obedecer às solicitações de outros não ocorre somente em situações que demandam esforço e atenção sustentados ou que exigem que o indivíduo permaneça quieto”, aponta o manual.

Avaliações que podem ajudar no diagnóstico de TOD

Para diagnosticar uma criança com o TOD, é necessário avaliar os critérios do DSM. Apenas um profissional da área é capaz de desenvolver um diagnóstico, que será pautado tanto em uma boa anamnese quanto na observação clínica de cada caso. Esse profissional também será capaz de articular particularidades do transtorno que não estejam associadas a um comportamento comum de cada pessoa.

Caso seja um psicólogo ou psiquiatra, você pode se apoiar, informalmente, na tabela Disruptive Behavior Disorder Rating Scale (DBDRS). Essa planilha pode ajudar a estabelecer uma escala para a TO, como uma triagem e guia de observação de sintomas relacionados ao transtorno dentro do DSM-V. Vale, contudo, destacar que essa não é uma escala validada pelo SATEPSI. Você pode utilizá-la como recurso complementar para sua observação e avaliação clínica.

E caso você queira ter acesso a essa avaliação traduzida, é só acessar este link. Aqui, a tia Paulinha traduziu o DBDRS e facilitou a vida de profissionais que queiram utilizar complementarmente esse recurso na clínica. É só acessar! E se quer saber ainda mais sobre psicologia infantil, vale sempre acessar o nosso blog.


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