A psicoterapia infantil é um campo sensível e ao mesmo tempo desafiador. Quando o profissional escolhe atuar com crianças, precisa considerar que sua linguagem, suas emoções e sua forma de se expressar diferem significativamente das de um adulto. Nesse contexto, diferentes abordagens psicoterapêuticas oferecem caminhos diversos de intervenção, e uma das que mais se destacam por sua flexibilidade, foco na experiência e valorização da autenticidade é a Gestalt com crianças.
A Gestalt-terapia, criada por Fritz Perls, Laura Perls e Paul Goodman, é uma abordagem fenomenológica-existencial que busca promover o contato autêntico do indivíduo com o aqui e agora. Com base na autorregulação e na tomada de consciência (awareness), a Gestalt valoriza o processo sobre o conteúdo, e a vivência sobre a explicação. Quando adaptada ao público infantil, essa abordagem encontra um solo fértil para sua aplicação, uma vez que as crianças estão naturalmente conectadas ao presente e expressam-se com espontaneidade.
Neste artigo, exploraremos o que é a Gestalt com crianças, seus princípios, os recursos utilizados e como essa abordagem pode ser aplicada com sensibilidade e eficácia nos atendimentos clínicos.
O que é Gestalt-terapia?
A Gestalt-terapia é uma abordagem psicoterapêutica centrada na experiência do indivíduo no momento presente. Seu foco é o processo pelo qual a pessoa se relaciona com o mundo, consigo mesma e com os outros, ao invés de buscar interpretações profundas do passado. Isso não significa ignorar a história do paciente, mas sim dar ênfase a como essa história está sendo vivida no presente.
Alguns dos pilares da Gestalt-terapia são:
- A consciência (awareness): perceber-se no aqui e agora, estar presente e atento aos sentimentos, pensamentos e sensações;
- A autorresponsabilidade: reconhecer-se como agente das próprias escolhas e comportamentos;
- O contato: relação dinâmica e autêntica entre o indivíduo e o ambiente;
- A integração: acolher diferentes aspectos de si, mesmo os contraditórios, em um processo de unificação.
Ao trabalhar com crianças, esses conceitos são adaptados à sua linguagem e ao seu estágio de desenvolvimento. A Gestalt com crianças valoriza o brincar, a expressão corporal, o desenho e a construção de narrativas simbólicas como formas legítimas de comunicação e crescimento.
Por que usar a Gestalt com crianças?
A infância é uma fase em que o ser humano está em construção, tanto do ponto de vista cognitivo quanto emocional. As crianças vivem intensamente as experiências do presente, demonstram emoções com autenticidade e aprendem por meio da vivência. Esses aspectos são totalmente compatíveis com os fundamentos da Gestalt-terapia.
Utilizar a Gestalt com crianças permite que o terapeuta acolha a criança em sua totalidade, sem buscar ajustá-la a padrões pré-estabelecidos. Em vez de corrigir comportamentos, a Gestalt busca compreendê-los como formas de expressão de necessidades não atendidas ou de experiências mal digeridas.
Outro ponto favorável da abordagem é a ênfase na relação terapêutica. O vínculo entre terapeuta e criança é visto como um espaço de encontro genuíno, onde se constrói segurança para que a criança se expresse livremente. Esse espaço de confiança é fundamental para que o processo terapêutico aconteça de forma fluida e respeitosa.

Como funciona a Gestalt com crianças na prática clínica?
A atuação com Gestalt com crianças envolve escuta ativa, atenção ao que está sendo expressado no corpo, nas brincadeiras e nos silêncios. O terapeuta se posiciona como um facilitador do processo da criança, respeitando seu tempo, sua forma de comunicar e suas resistências.
1. O uso do brincar como ferramenta principal
Na Gestalt, o brincar não é apenas um recurso lúdico: é linguagem. A criança fala brincando, resolve conflitos por meio de personagens, expressa sentimentos em desenhos e experimenta situações simbólicas com os brinquedos. Cabe ao terapeuta estar atento ao conteúdo emocional dessas brincadeiras e utilizá-las como ponte para o contato mais profundo.
2. Foco no aqui e agora
A Gestalt com crianças convida o terapeuta a estar presente com a criança em cada momento. Isso significa valorizar o que acontece na sessão, as emoções que surgem ali e os temas que emergem espontaneamente. O objetivo não é conduzir a criança a um caminho predeterminado, mas acompanhar seu processo com presença e autenticidade.
3. Diálogo entre sentimentos e corpo
A abordagem Gestáltica reconhece que o corpo é um importante veículo de expressão. A criança pode não saber nomear suas emoções, mas seu corpo fala. Tensão, agitação, retraimento ou mudanças no tom de voz são formas válidas de comunicação e devem ser acolhidas. Trabalhos com respiração, movimento e dramatizações podem ser usados para promover consciência corporal e emocional.
4. Trabalho com polaridades
Um dos conceitos importantes da Gestalt é o de polaridades internas — aspectos opostos que coexistem em nós, como força e fragilidade, alegria e tristeza, coragem e medo. Ao trabalhar com Gestalt com crianças, o terapeuta pode ajudar a criança a identificar e integrar essas partes de si, promovendo autoconhecimento e equilíbrio.
Quais recursos utilizar na Gestalt com crianças?
O trabalho com crianças exige criatividade, sensibilidade e uma variedade de ferramentas que favoreçam a expressão espontânea. Alguns dos recursos mais usados incluem:
- Caixa de areia: permite a criação de cenários simbólicos que refletem o mundo interno da criança;
- Massinha, tinta, argila: materiais sensoriais que facilitam o contato com emoções e impulsos;
- Fantoches e bonecos: usados para dramatizações, diálogos projetivos e resolução simbólica de conflitos;
- Jogos projetivos: cartas, tabuleiros e dinâmicas que facilitam o contato com emoções e histórias pessoais;
- Desenhos livres e dirigidos: formas de registrar experiências, sentimentos ou relações familiares;
- Instrumentos musicais simples: que estimulam o corpo, a expressão e o ritmo interno.
Esses recursos são utilizados com flexibilidade, sempre respeitando o momento da criança e o que ela deseja expressar. Na Gestalt com crianças, o terapeuta não impõe um caminho, mas oferece possibilidades para que a criança explore suas emoções com liberdade.
O papel da família na Gestalt com crianças
Nenhuma criança está isolada do contexto em que vive. Sua forma de se expressar, seus comportamentos e seu sofrimento estão frequentemente ligados às relações familiares. Por isso, o trabalho com pais ou cuidadores é parte fundamental do processo terapêutico.
Na Gestalt com crianças, os encontros com os pais são oportunidades para escuta, orientação e construção de uma visão mais ampla do que a criança está vivenciando. Em vez de apontar culpados, o terapeuta busca promover o diálogo, o entendimento mútuo e a corresponsabilidade no cuidado emocional.
É essencial que os pais se sintam acolhidos e compreendam o papel que desempenham na vida emocional da criança, participando ativamente do processo quando necessário.
Benefícios da Gestalt com crianças
O trabalho gestáltico com crianças oferece uma série de benefícios, tanto imediatos quanto a longo prazo. Entre eles, destacam-se:
- Maior consciência emocional e capacidade de identificar sentimentos;
- Melhora no relacionamento com os pais, irmãos e colegas;
- Redução de comportamentos de evitação ou agressividade;
- Maior autorregulação emocional e corporal;
- Fortalecimento da autoestima e do senso de identidade;
- Capacidade de lidar com frustrações e mudanças;
- Desenvolvimento da empatia e da comunicação autêntica.
Esses resultados não surgem de forma mágica, mas são frutos de um processo contínuo, onde a escuta, o acolhimento e a autenticidade são pilares fundamentais.

Quando indicar a Gestalt com crianças?
A Gestalt com crianças pode ser indicada em uma ampla variedade de situações, incluindo:
- Dificuldades emocionais como tristeza, medo, insegurança ou irritabilidade;
- Problemas de comportamento, agressividade ou retraimento;
- Questões familiares, como separação dos pais ou conflitos em casa;
- Luto, perdas significativas ou mudanças de ambiente;
- Dificuldades escolares, como desmotivação ou problemas de socialização;
- Diagnósticos como ansiedade, TDAH, transtornos do desenvolvimento ou depressão infantil.
A abordagem é especialmente indicada para crianças que apresentam dificuldade em verbalizar o que sentem, pois oferece ferramentas não verbais eficazes e respeitosas.
Conclusão
A Gestalt com crianças é uma abordagem terapêutica profundamente humana, que respeita a singularidade de cada criança e valoriza sua forma própria de viver o mundo. Ao privilegiar a experiência, o contato genuíno e a expressão criativa, essa abordagem se mostra uma poderosa ferramenta para o desenvolvimento emocional saudável e o fortalecimento da identidade infantil.
O trabalho do terapeuta, nesse contexto, é o de acompanhar, facilitar e acolher, sem pressa e sem fórmulas prontas. Cada sessão é uma descoberta, um encontro, um convite à escuta verdadeira.
Investir na formação em Gestalt-terapia, buscar supervisão contínua e manter-se aberto à sensibilidade infantil são atitudes fundamentais para quem deseja atuar com competência e ética nesse campo tão especial.
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