Como se realiza o diagnóstico de autismo leve

Como se realiza o diagnóstico de autismo leve
Paulinha Psico Infantil

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Olá, sou a Paulinha, psicóloga infantil com foco em transtornos do neurodesenvolvimento. Crio conteúdos na internet desde 2015 e ajudo milhares de mães e outras profissionais da área. Quer conversar comigo? Só deixar um comentário no final do conteúdo.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), é um transtorno do neurodesenvolvimento. Para saber se o seu filho se enquadra nessa categoria, é preciso procurar por especialistas para realização de exames, observação clínica, testagens, chegando no diagnóstico de autismo de fato.

Os níveis de autismo variam de cada um, sendo que existem 3 principais: nível 1, nível 2 e nível 3. O diagnóstico é feito de acordo com avaliações neuropsicológicas e observação clínica, usando o DSM-V (diagnóstico de saúde mental) como base de pesquisa e conhecimento.

Obviamente, o diagnóstico de autismo leve é mais difícil de ser realizado em comparação com os níveis mais avançados, muito por conta das características das crianças que possuem o transtorno nesse nível.

Nesse artigo, falaremos principalmente do diagnóstico de autismo leve e, para entender como ele é realizado, precisamos discutir alguns aspectos importantes, como os principais sintomas, quem realiza esse diagnóstico e outros.

Principais sintomas a se observar em uma criança com autismo leve

Principais sintomas a se observar em uma criança com autismo leve

Para começar, é preciso falar sobre os principais sintomas que são avaliados durante um diagnóstico de autismo leve. É importante entender que os sintomas são comportamentais, pois o TEA afeta 3 grandes áreas do desenvolvimento: comportamento social, interesses restritos e comportamentos repetitivos.

Os sintomas que serão apresentados são considerados de autismo leve, quando eles não limitam tanto o dia a dia da criança. Ou seja, apesar de ela realizar algumas ações que fogem um pouco do padrão, elas não fazem com que a criança necessite do mesmo suporte que em outros estágios do autismo.

Dificuldades na comunicação social

Dificuldades na comunicação social

Quando a criança começa a apresentar dificuldades na comunicação social, é importante que os pais estejam atentos. Crianças costumam ser comunicativas e interagem com facilidade com outras crianças e com adultos ao redor.

Se você perceber que o seu filho está apresentando certas dificuldades na comunicação, parece usar a comunicação de uma forma diferente do padrão de crianças da idade dele, seja usando palavras e frases muito corretas, seja possuindo um interesse muito grande em letras e alfabeto, lendo sozinho.

Se ele evita a interação com pessoas e não consegue manter uma comunicação de duas vias, mantendo muito tempo o mesmo assunto, principalmente se for de seu hiperfoco, podemos ter alguns sinais de atenção de autismo aí.

Ou ainda, dificuldades em iniciar uma conversa, entender os contextos sociais da comunicação, saber que quando vemos alguém devemos dizer oi, quando saímos de um local devemos dizer tchau, a forma de se aproximar de alguém e fazer uma pergunta… são essas entrelinhas dentro da comunicação. Não é apenas FALAR, é mais que isso.

Esse é um ponto muito importante para conseguirmos avaliar o possível diagnóstico de autismo leve.

Comportamentos repetitivos

Comportamentos repetitivos

A estereotipia é um termo médico muito utilizado para designar a repetição de movimentos específicos, especialmente nas crianças. Além disso, essa condição é um sintoma bastante expressivo do diagnóstico leve de autismo.

Quando a criança passa a repetir alguns movimentos, aparentemente sem motivo algum, pode ser por razão de seu diagnóstico de autismo leve. Separamos alguns exemplos desses movimentos que podem ser importantes para entender se isso está acontecendo com o seu filho ou não:

  • Andar para frente e para trás;
  • Balançar as mãos sem parar;
  • Ficar estalando os dedos;
  • Fazer sons com a boca de forma repetitiva;
  • Movimentar os dedos na frente do rosto;
  • Pulinhos repetitivos
  • Virar o carrinho para cima e rodar as rodas
  • Alinhar brinquedos
  • Brincar com padrões específicos (cores, formas, números, letras)

Esse é uma das características muito comuns do TEA.

Atualmente já sabemos que as estereotipias possuem funções de auto-regulação corporal e emocional. Não são “sem função”, portanto, você não deve bloquear as estereotipias de seu filho. A não ser que estejam trazendo algum tipo de prejuízo real, daí você poderá conversar com o terapeuta do seu filho sobre isso.

Esse comportamento é muito relevante para a realização de um diagnóstico de autismo leve.

Interesses restritos

A terceira característica importante para a realização do diagnóstico de autismo leve, é a percepção de que a criança possui interesses restritos. Ou seja, a criança opta por brincar sempre com os mesmos brinquedos, fica repetindo sempre as mesmas frases, gosta da mesma brincadeira, etc.

Nesse ponto, a criança se incomoda caso os pais ofereçam novos tipos de objetos para ela brincar, pensa em passeios que modificam a rotina ou intervém nos jogos escolhidos. Se isso for identificado, é importante procurar um especialista para determinar se o pequeno(a) possui ou não o TEA.

Essa característica se chama “hiperfoco”, e pode acontecer com diferentes objetos, personagens, pode mudar tendo diferentes fases e interesses.

Além disso, também entra a questão da rigidez cognitiva, na qual não tem interesse em tentar mudar de desenho, personagem ou caminho, preferem sempre manter os padrões.

Como é feito o diagnóstico de autismo leve?

Como é feito o diagnóstico de autismo leve

O diagnóstico de autismo leve é feito diretamente em uma consulta com um especialista. Cada profissional possui uma forma específica de avaliar e diagnosticar o TEA nas crianças, utilizando métodos ou testes que se mostraram eficientes ao longo dos anos.

Existem diferentes tipos de testes que podem ser realizados para determinar esse diagnóstico de autismo leve. Separamos 2 que são mais comuns e também são eficazes nessa determinação: o ADOS e a Cars.

ADOS

O ADOS, ou Protocolo de Observação Para o Diagnóstico de Autismo, o especialista elabora uma série de tarefas estruturadas para avaliar a interação social entre ele e o paciente, que geralmente são as crianças.

Cars

O Cars ou Escala de Avaliação de Autismo na Infância, é justamente uma escala elaborada para a realização do diagnóstico de autismo leve ou de outros níveis.

A escala é formada por 15 itens, entre eles a interação com as pessoas, imitação, resposta emocional, entre outros. A pontuação total se dá entre 15 até 60 pontos, e a criança é diagnosticada quando atinge ao menos a pontuação 30.

Encontre o PDF da CARS aqui

Quem realiza o diagnóstico de autismo leve?

Quem realiza o diagnóstico de autismo leve?

Existem alguns especialistas que trabalham nessas áreas e que podem ser responsáveis pelo diagnóstico de autismo leve, são eles:

  • Psiquiatras;
  • Psicólogos;
  • Neurologistas.

Cada um desses profissionais oferece um tipo de avaliação específica, por isso, cada um é mais indicado para diferentes idades. Geralmente na infância são indicados os neuropediatras ou psiquiatras infantis, e quando adultos os psiquiatras. Psicólogos não tem diferenciação de idade, porém busque especialistas.

Uma recomendação importante é: busque indicações de profissionais específicos, para que você não passe por uma experiência negativa.

Como o autismo leve é muito sutil, infelizmente temos histórias de pais que foram em diferentes médicos e nenhum deles conseguiu realizar a avaliação adequada.

Pode confundir autismo leve com superdotação?

Pode confundir autismo leve com superdotação?

Em muitas situações, essas duas condições são interligadas. É possível que uma criança possua o TEA e ao mesmo tempo tenha aspectos de superdotação, se destacando de forma acima da média em uma ou mais inteligências específicas.

Em algumas ocasiões, em que a pessoa possui dificuldades de interações sociais, por exemplo, o diagnóstico pode ser confundido, pois as pessoas superdotadas também apresentam esses comportamentos, pois acabam não se interessando pelos mesmos assuntos e gostos que as demais.

Por isso é fundamental que o diagnóstico seja o mais preciso possível, realizado pelos melhores especialistas que sabem exatamente as características de cada uma das condições, indicando os tratamentos mais eficazes caso o diagnóstico seja para autismo leve.

Conclusão

Podemos concluir com o artigo que, o diagnóstico de autismo leve é muito importante para que as pessoas que possuam o TEA saibam como atenuar as dificuldades encontradas por conta desse transtorno. Nesse sentido, buscar especialistas, como psiquiatras infantis, psicólogos ou neuropediatras, é fundamental, pois esses especialistas saberão realizar esse diagnóstico, utilizando métodos e escalas que são comprovadamente eficazes.

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