Avaliação do Desenvolvimento Motor em Crianças: O Olhar da Psicóloga Infantil
Avaliação do Desenvolvimento Motor em Crianças: O Olhar da Psicóloga Infantil

O desenvolvimento motor é uma das áreas fundamentais no crescimento infantil, diretamente relacionado ao amadurecimento neurológico, emocional e cognitivo da criança. 

Cada movimento que a criança aprende – do simples engatinhar ao controle refinado de um lápis – representa não apenas progresso físico, mas também conquistas psicológicas importantes. Nesse contexto, a avaliação do desenvolvimento motor assume um papel estratégico dentro da prática da psicologia infantil, sendo essencial para uma compreensão mais ampla do sujeito em formação.

A psicóloga infantil, ao observar e avaliar o comportamento motor da criança, vai além da constatação de habilidades ou dificuldades físicas. Seu olhar é sensível às manifestações emocionais, cognitivas e sociais que podem estar associadas aos atrasos ou avanços motores. 

Por isso, a avaliação do desenvolvimento motor é parte integrante do processo clínico ou educacional, contribuindo para o diagnóstico precoce de possíveis transtornos, além de orientar intervenções interdisciplinares.

Neste artigo, abordaremos a importância da avaliação do desenvolvimento motor a partir da perspectiva da psicologia infantil, os principais marcos motores esperados em cada fase do desenvolvimento, as ferramentas utilizadas por psicólogos e como integrar essa avaliação a uma compreensão global do sujeito.

1. O que é o desenvolvimento motor?

O desenvolvimento motor refere-se ao processo pelo qual as crianças adquirem e refinam suas habilidades motoras grossas (como correr, pular, rolar) e finas (como desenhar, abotoar, manusear objetos pequenos). Esse processo é gradual, contínuo e influenciado por fatores genéticos, ambientais, emocionais e sociais.

O controle motor está diretamente relacionado à maturação do sistema nervoso central, mas também depende da estimulação adequada, da interação com o ambiente e da qualidade do vínculo afetivo com os cuidadores. Portanto, qualquer interferência nesses fatores pode impactar o ritmo ou a qualidade do desenvolvimento motor da criança.

Por isso, a avaliação do desenvolvimento motor não deve ser vista apenas como um processo técnico de mensuração de movimentos. Trata-se de uma investigação ampla, que exige sensibilidade clínica e conhecimento do contexto em que a criança está inserida.

2. A importância da avaliação do desenvolvimento motor na psicologia infantil

A avaliação do desenvolvimento motor feita por uma psicóloga infantil tem objetivos amplos. Ela permite:

  • Identificar atrasos ou dificuldades motoras que podem estar interferindo na aprendizagem, na socialização ou na autoestima da criança.
  • Compreender a relação entre aspectos motores e emocionais, como insegurança, ansiedade ou retraimento social.
  • Analisar o impacto de fatores ambientais no desenvolvimento da criança, como negligência, superproteção ou falta de estímulo.
  • Detectar possíveis sinais de transtornos do neurodesenvolvimento, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC).
  • Orientar intervenções terapêuticas e pedagógicas adequadas ao perfil da criança.

Dessa forma, a avaliação do desenvolvimento motor se torna uma ferramenta valiosa para o planejamento de um acompanhamento mais eficaz e individualizado.

Avaliação do Desenvolvimento Motor em Crianças: O Olhar da Psicóloga Infantil

3. Marcos motores: o que observar em cada faixa etária

Embora cada criança tenha seu ritmo, há marcos motores esperados em determinadas idades. Esses marcos servem como referência para que o profissional avalie se o desenvolvimento da criança está dentro do esperado ou se há sinais de atraso.

A seguir, alguns exemplos:

  • 0 a 6 meses: sustentar a cabeça, rolar, levar objetos à boca.
  • 6 a 12 meses: sentar sem apoio, engatinhar, começar a andar com apoio.
  • 1 a 2 anos: andar sozinho, subir degraus com ajuda, empilhar blocos.
  • 2 a 3 anos: correr, chutar bola, desenhar linhas ou formas simples.
  • 3 a 5 anos: pular com os dois pés, usar tesoura, vestir-se com auxílio.
  • 5 a 7 anos: andar em linha reta, escrever, recortar com precisão.

Durante a avaliação do desenvolvimento motor, a psicóloga infantil observa como a criança executa essas tarefas, se há coordenação, equilíbrio, força, planejamento motor, e se ela demonstra prazer ou frustração ao realizá-las.

4. Ferramentas utilizadas na avaliação do desenvolvimento motor

A psicóloga infantil pode utilizar diferentes instrumentos na avaliação do desenvolvimento motor, dependendo da idade da criança, da queixa apresentada e do objetivo da avaliação. Alguns dos recursos mais comuns incluem:

a) Observação clínica

A observação é uma das ferramentas mais potentes. Ao propor atividades lúdicas e espontâneas, a psicóloga observa como a criança se movimenta, interage com objetos e expressa emoções durante as ações motoras.

b) Entrevistas com os pais

O relato dos pais sobre o desenvolvimento motor nos primeiros anos de vida é essencial. A psicóloga investiga quando a criança começou a sentar, andar, correr, segurar lápis, se houve intervenções anteriores, entre outras informações.

c) Testes padronizados

Existem instrumentos específicos para avaliação motora que podem ser usados por psicólogos com treinamento adequado, como:

  • Escala de Desenvolvimento Motor Peabody (PDMS-2)
  • Teste de Desenvolvimento Motor Bruto (TGMD-2)
  • Teste de Triagem de Denver II
  • Escala Bayley de Desenvolvimento Infantil
  • Bender – principalmente para aspectos gráficos-motores

Esses testes oferecem dados objetivos que ajudam a compor o diagnóstico e a indicar o nível de desenvolvimento da criança em relação à média esperada.

d) Atividades lúdicas e simbólicas

Desenhar, montar blocos, recortar, imitar movimentos, jogos de equilíbrio e coordenação são ótimos recursos para avaliar habilidades motoras dentro de um ambiente acolhedor e menos formal, especialmente com crianças pequenas.

5. O olhar integrativo da psicóloga infantil

Diferente de profissionais que avaliam apenas o desempenho motor em si, a psicóloga infantil amplia seu olhar para integrar corpo, mente e afeto. Ao realizar a avaliação do desenvolvimento motor, ela considera:

  • O contexto emocional da criança (como lida com frustrações, se tem medo de errar, se evita desafios motores).
  • A função simbólica de certos comportamentos motores (como rigidez, lentidão ou impulsividade).
  • A interação com o outro durante atividades motoras (cooperação, competição, retraimento).
  • A autoimagem corporal construída a partir das experiências motoras.

Por isso, a avaliação do desenvolvimento motor na psicologia não se limita a um checklist de habilidades. É uma investigação rica, que pode revelar traços importantes da personalidade da criança e das dinâmicas familiares.

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6. Sinais de alerta: quando investigar mais a fundo?

Alguns comportamentos ou ausências de habilidades podem indicar a necessidade de uma avaliação do desenvolvimento motor mais detalhada. Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Atraso evidente na aquisição de marcos motores (não andar até 18 meses, por exemplo).
  • Dificuldade de coordenação motora fina (não conseguir segurar lápis, cortar papel, manipular objetos pequenos).
  • Problemas de equilíbrio e postura (cair com frequência, andar na ponta dos pés).
  • Rigidez ou hipotonia muscular.
  • Recusa persistente em realizar atividades motoras.
  • Cansaço exagerado em tarefas simples.
  • Isolamento social relacionado a atividades físicas.

Nesses casos, a atuação integrada com fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, neuropediatras e educadores é essencial para traçar um plano de cuidado eficaz.

7. Intervenções a partir da avaliação do desenvolvimento motor

Após realizar a avaliação do desenvolvimento motor, a psicóloga pode encaminhar a criança para acompanhamentos específicos, como fisioterapia, terapia ocupacional, psicomotricidade ou reforço escolar. No entanto, ela também pode propor intervenções clínicas dentro da própria psicoterapia, como:

  • Trabalhar a autoestima da criança em relação às suas habilidades motoras.
  • Estimular a exploração do corpo e do movimento como forma de expressão emocional.
  • Incorporar atividades motoras lúdicas na sessão terapêutica.
  • Orientar os pais sobre formas de estimular o desenvolvimento motor em casa, sem cobrança excessiva.

A psicóloga pode ainda acompanhar a evolução motora ao longo do tempo, reavaliando marcos e ajustando estratégias conforme a necessidade.

8. A importância da parceria com a escola

A escola é um espaço privilegiado para observar o comportamento motor da criança em situações variadas. Professores de educação física, coordenadores e pedagogos frequentemente identificam dificuldades que os pais não percebem.

Ao realizar a avaliação do desenvolvimento motor, a psicóloga pode (com autorização dos responsáveis) entrar em contato com a equipe escolar para coletar informações, sugerir adaptações e promover uma rede de apoio mais eficaz à criança.

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